sábado, 9 de janeiro de 2016

Antecipação da descontinuidade da atividade industrial da Unicer em Santarém

Comunicado da CT
Leça do Balio, 08 de Janeiro de 2016
A Comissão de Trabalhadores da Unicer, surpreendida pelo anúncio da Administração, no dia de ontem, da antecipação do encerramento da fábrica de Santarém para o fim do mês de Janeiro, consultando e ouvindo a posição dos Trabalhadores durante o dia de hoje, informa o seguinte:
A operação da fábrica de Santarém, pela sua particularidade de segmentação de mercado sobre a área dos sumos e refrigerantes, não sofre influência da quebra de volume de exportação para Angola pelo facto de este mercado se apoiar totalmente nas cervejas. Da mesma forma, em termos globais, nunca a Unicer necessitou de reforçar os seus quadros de pessoal por força do aumento da exigência do mercado Angolano e a operação foi sempre sendo suportada por um aumento da solicitação de trabalho aos quadros existentes, nomeadamente com recurso à agilização das escalas de equipas de produção e aumento de trabalho extraordinário. Assim, deixa de representar validade o argumento que se debruça sobre a quebra de mercado Angolano com efeitos de causalidade;
A operação do Centro de Produção de Santarém, pelos dados de 2014, representa ganhos líquidos económicos que contribuem também para os resultados globais amplamente
propagandeados pela Unicer e que resultaram num lucro efectivo de 33 milhões de euros distribuídos em dividendos pelos Acionistas. Desta forma, a Unicer declara que decide encerrar a operação de uma fábrica rentável;
No início de 2015, o então CEO da Unicer, Dr João Abecasis, em discussão com esta Comissão de Trabalhadores na abordagem às inerências da quebra do mercado Angolano, numa lógica do que verdadeiramente deve constituir a gestão de uma grande empresa e a inclusão dos Trabalhadores na tomada de decisões, indicou uma série de medidas a tomar com vista à agilização dos sectores e poupança económica deixando a garantia de que jamais incidiriam sobre as pessoas e os seus postos de trabalho. Na mesma linha, sobre a viabilidade do centro de produção de Santarém, garantiu-nos que a continuidade da fábrica dependeria unicamente 
da sua viabilidade económica, viabilidade essa que se veio a comprovar com dados da própria Unicer;
Pelos motivos acima, esta Comissão de Trabalhadores reitera o juízo de que a decisão anunciada em Outubro representa mera opção estratégica e economicista apoiada na
concentração da operação em Leça do Balio, ainda que para isso esteja a entregar a um concorrente a garantia da defesa do interesse das suas marcas de sumos e refrigerantes e sentencie dessa forma o fim do posto de trabalho de mais de 70 Trabalhadores e hipoteque assim as suas vidas;
Ainda na abordagem à conduta da Administração da Unicer neste processo, lembramos a falácia em que todo o departamento de comunicação se apoiou, a título de almofada moral, em todas as comunicações que fez à Comunicação social ao referir que estavam garantidos cerca de metade dos postos de trabalho por inerência da mobilidade interna de dez Trabalhadores para Leça do Balio e a suposta garantia de colocação de mais vinte e cinco no “parceiro” que assegura a operação, sofisma recentemente desmontado pelo próprio “parceiro” numa notícia do Jornal Publico, onde o seu Diretor Geral garante que não há qualquer compromisso com a Unicer a esse nível e que prezam a manutenção dos seus “níveis low cost” de produção;
Por estes motivos, e por não excluirmos a possibilidade de este anúncio de antecipação do fecho da fábrica de Santarém estar previamente decidido pela Administração da Unicer e visar o efeito surpresa sobre as organizações de representação dos seus Trabalhadores, indicamos o carácter de Urgência aos pedidos de audiência que fizemos junto do Ministério da economia a fim de indagarmos acerca das garantias e contrapartidas assumidas pela Unicer para usufruto dos fundos comunitários que, nos últimos anos e referentes apenas à Unicer Bebidas SA, ascendem a mais de 60 milhões de euros;
No mesmo sentido, encetámos contactos com os Eurodeputados Portugueses no sentido de esclarecerem junto da Comissão Europeia todos os pormenores que balizam este tipo de situações tendo já sido remetida essa pergunta à CE pela eurodeputada Inês Zuber do Partido Comunista e estando também nesse processo a eurodeputada Ana Gomes do Partido Socialista. Estas acções e contactos assumem a legitimidade da força que nos dá a confirmação de que estes contratos de financiamento estão obrigados a garantias de empregabilidade pelas empresas como ainda hoje referiram os deputados Nuno Serra, Teresa Leal Coelho e Duarte Marques do PSD na interpelação feita hoje na Assembleia da República ao Ministro da Economia;
Salientamos ainda a preocupação desta CT sobre a justiça dos benefícios fiscais concedidos à Unicer nos últimos anos nomeadamente no que concerne à criação de emprego, como apontam também hoje os Deputados Socialistas António Gameiro, Idália Serrão e Hugo Costa, onde entre outras questões abordam também a falta de clareza na garantia de colocação dos 25 Trabalhadores na Font Salem;
Por fim, ainda no âmbito da desmistificação da atitude caritativa da Administração da Unicer, salientamos o facto de, num claro ataque ao direito à greve dos seus Trabalhadores, não ter pago a primeira prestação do “prémio de operação” àqueles que optaram por participar na acção de luta e protesto do passado dia 15 de Dezembro quando, à altura do anúncio, a garantia de pagamento assentava apenas no pressuposto do cumprimento de níveis normais de produção.
Desta compilação de factores e perante as evidências, entende a Comissão de Trabalhadores que interessa continuar a garantir o cumprimento da legalidade e a contínua salvaguarda do interesse dos Trabalhadores.
A Comissão de Trabalhadores da Unicer Bebidas S.A.

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